terça-feira, 28 de julho de 2009

Sexta-feira 13 - 2009 - Marcus Nispel


Tenho um desprezo total por remake's. Adaptar algo para atrair o público jovem soa patético tanto para os próprios produtores do filme que não conseguem pensar em nada criativo para poder ganhar mais dinheiro quanto para o próprio público jovem que tem preguiça de olhar alguma coisa fora da prateleira "Lançamentos" de sua video-locadora, o que dirá então ver um filme com que foi produzido há séculos e séculos atrás (o filme original é de 1980). Esse Sexta-feira 13 não foge à regra. Não vi o original e se vi, não me lembro, mas tenho a consciência de que muitos dos esteriótipos dos filmes de terror (norte-americanos, diga-se de passagem) nasceram aqui, portanto, continuar a usar esses estereótipos (depois de quase 30 anos) é provar por A + B que Hollywood está mesmo numa crise desesperada (VIVA!!!!!!!!!!!). Pensando assim eu acho que Jason Voorhees deveria era sair da tela do cinema e ir atacar lá em Los Angeles mesmo, por que percebendo o tipo de vítima preferido do serial-killer (jovens ricos, que não fazem nada de interessante na vida, fúteis, extremamente infantis, ninfomaníacos, preconceituosos e machistas, ou seja, americanos), percebemos que lá, ele faria a festa. Em cada morte que se concretizava, eu virava cada vez mais fã do personagem Jason e menos admirador do filme. Menos admirador pelo péssimo roteiro e pelas péssimas atuações que vemos na película e mais fã do personagem por que, pensando bem, esse tipo de jovem que ele mata tem mais é que morrer mesmo!

sábado, 18 de julho de 2009

O Inquilino - 1976 - Roman Polanski


É meio triste ver que um diretor tão talentoso de anos atrás, faz coisas tão decepcionantes hoje em dia, mas tudo bem, pelo menos ele fez coisas boas. O Inquilino faz parte daquela que se tornou minha trilogia preferida, deixando para trás (beeeeeem para trás) O Senhor dos Anéis e Star Wars (sim, eu cresci).
A chamada trilogia dos apartamentos ainda tem "Repulsa ao Sexo" e clássico "O bebê de Rosemary". Achei O Inquilino o mais esquisito de todos, e lógico por isso que gostei tanto. Um filme extremamente frio e ao mesmo tempo desesperador, chegando a ser quase que claustrofóbico. Tudo é muito perto, a câmera é muito perto, os apartamentos são muito próximos uns dos outros, a luz é muito escura, o corredor é muito curto e a paranóia está sempre presente em algum personagem. É um daqueles filmes que nos mostram quão complexo pode ser um ser humano. Mostra que a loucura não está tão longe, pode estar bem dentro de nós, latejando desesperamente à espera de algo que aperte seu gatilho. Polanski faz isso como uma maestria incrível, seja pela "mediocridade" de sua atuação ou pela excelência de sua direção.
Ainda tenho esperanças que ele ainda um dia venha a fazer alguma coisa boa. Enquanto isso não acontece, fico aqui me divertindo com seu passado tão fascinante.


Recadinho para o diretor:
Pô Polanski, volte a ser louco...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón - Pedro Almodóvar - 1980


Esse é o primeiro filme comercial de Pedro Almodovar. Está longe de ser um dos seus melhores, mas como estamos falando de um gênio não podemos desconsiderá-lo, pois nele já vemos inúmeras características que fazem de Pedro Almodovar um Pedro Almodovar. A começar pelo sexo, que mais uma vez norteia toda a trama, bastante polêmica por sinal, passando pelas cores, pelas falas, pelos cenários, pelas situações inusitadas e pela crítica direita ao puritanismo. Lá já temos de tudo, tem mulher urinando em outra, tem sexo oral, tem banda punk, tem roupa colorida, tem personagens desbocados, tem donas de casa sadomasoquistas, tem a noite de Madrid e, lógico, cenas dramáticas e/ou engraçadissimas.
É muito bom olhar pra trás na obra de um artista que gosto tanto e ver que ele tem uma identidade muito forte e muito bem construída ao longo de já quase trinta anos. É bom pra gente saber que tem gente que realmente sabe o que faz, que não está aqui a toa. Por mais estranho que esse filme pareça (na minha opinião, o mais estranho de todos do Almodovar), ele me cativou justamente por isso, por ter uma certa estranheza que já estou acostumado e por que não dizer profundamente apaixonado?

domingo, 21 de junho de 2009

Laura - Otto Preminger - 1944


Clássico noir. Pronto. Já não tem mais nada pra falar.


Mas é isso mesmo. Imaginem só se Hollywood fosse hoje como era nesse tempo: Filmes de baixo orçamento, poucos atores, cenários simples e com roteiros, atuações e direções impecáveis? A vida de um cinéfilo seria bem mais agradável. Com certeza não ficaria meses sem ir no cinema, como fico aqui. Tudo acabou se tornando nessa indústria que está tornando cada vez mais intragável até para si mesma, mas tudo bem, se não temos uma Hollywood em época de ouro, temos muitos filmes fora do circuito norte-americano que valem muito a pena.
Pois bem, voltemos ao noir. Como disse é um clássico, e se é clássico ele tem que ter todas as características típicas de seu gênero. Laura, pra minha felicidade, não foge a regra. Tem cenas noturnas e escuras, revira-voltas, detetive frio e sem expressão que se apaixona pela femme fatale do filme, femme fatale essa que faz de sua personagem uma personagem polivalente. Ela é vítima, ela é assassina, ela é inocente, ela é esperta, ela é femme fatale, mas na verdade, ela é realmente foda!

sábado, 20 de junho de 2009

Clamor do Sexo - Elia Kazan - 1961


Não, não. Não é um filme pornô dos anos 60 (se bem que um filme pornô com Natalie Wood e Warren Beatty não seria uma má idéia...). Mas é o sexo mesmo que faz toda essa história acontecer. O filme é um grande tapa na cara da sociedade interiorana moralista dos Estados Unidos e por que não dizer do mundo? Imagina só um casal tão bonito como esse tendo que se segurar para não cometer o tão demoníaco sexo antes do casamento para não ficarem mal falados em uma pacata cidadizinha do interior do Kansas? Pois é, isso só podia dar em merda mesmo. Se a menina não fosse tão linda ou o rapaz não tão charmoso, tudo seria mais fácil... Mas não...
Elia Kazan acertou em cheio na escolha do casal principal. Os dois estão perfeitos tanto nas atuações como no sex appeal. Warren realmente está a ponto de perder a razão com tanto tesão repreendido e infelizmente (ou felizmente) Natalie efetivamente a perde, nos apresentando uma atuação inesquecível, principalmente se lembramos daquela mocinha de rosto tão puro e angelical que se torna em uma mulher que tem saudades daqueles velhos tempos de esplendor na relva e da glória em flor...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Drugstore Cowboy - Gus van Sant - 1989


Filmes de droga sempre são polêmicos por motivos óbvios. Sempre é aquela coisa: protagonistas lindos e saudáveis se acabam no Dope Show e viram pessoas irreconhecíveis e toltamente desprezíveis pela sociedade cristã. Me irrita ainda quando se usa neles uma ediçao "viajante" ou totalmente esquisofrênica para representar as pirações dos usuários (sim, eu ODEIO "Requiem for a dream" do fundo do meu coração). Já Drugstore Cowboy começa acertando por não ter nada disso, a não ser seu belo e corado casal protagonista, mas o resto é tudo diferente. Já começando pelo argumento que é bastante interessante: quatros amigos resolvem sair pelos Estados Unidos assaltando farmácias em busca de drogas para satisfazerem seus vícios. Ou seja, um road movie. O filme ganha também ao escolher a sutiliza no lugar da escatologia, a calma no lugar do nervosismo. Isso parece estranho em se falando de um road movie de drogas, mas é isso mesmo. Não vemos ninguém vomitando e o caminhar do filme se torna cada vez mais denso e dramático, longe ser nervoso ou vertiginoso. Mas no fim é isso, não quero contar o que o filme tem de melhor. Mesmo porque o que um filme tem de melhor só pode ser visto e nunca lido.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A felicidade não se compra - Frank Capra - 1946




Não conhecia nem um filme do Frank Capra. mas tinha a leve impressão que seria bom. Esse é lindo. Pensei e pensei, mas não existe uma outra palavra melhor para descrevê-lo. Começa já com um tom de comédia e uma certa inovação que nos faz querer ver o filme até o final, esse tom sempre aparece nas próximas cenas, mas às vezes é substituído por tons dramáticos e românticos, que só o fazem engrandecer ainda mais. Um filme extremamente sensível que agradou logo de cara o público e crítica se tornando um dos filmes mais agradáveis da história do cinema (confesso que seu final me fez chorar de tão emocionante). É uma película perfeita para aqueles dias em que pensamos que nossas vidas são as piores do mundo, mas vá com calma, meu querido, pois esta, é uma vida maravilhosa...