
Esse é o primeiro filme comercial de Pedro Almodovar. Está longe de ser um dos seus melhores, mas como estamos falando de um gênio não podemos desconsiderá-lo, pois nele já vemos inúmeras características que fazem de Pedro Almodovar um Pedro Almodovar. A começar pelo sexo, que mais uma vez norteia toda a trama, bastante polêmica por sinal, passando pelas cores, pelas falas, pelos cenários, pelas situações inusitadas e pela crítica direita ao puritanismo. Lá já temos de tudo, tem mulher urinando em outra, tem sexo oral, tem banda punk, tem roupa colorida, tem personagens desbocados, tem donas de casa sadomasoquistas, tem a noite de Madrid e, lógico, cenas dramáticas e/ou engraçadissimas.
É muito bom olhar pra trás na obra de um artista que gosto tanto e ver que ele tem uma identidade muito forte e muito bem construída ao longo de já quase trinta anos. É bom pra gente saber que tem gente que realmente sabe o que faz, que não está aqui a toa. Por mais estranho que esse filme pareça (na minha opinião, o mais estranho de todos do Almodovar), ele me cativou justamente por isso, por ter uma certa estranheza que já estou acostumado e por que não dizer profundamente apaixonado?
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